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Feri Tradition: Deuses na Leminscate 
Leminscate é o símbolo do infinito, para alguns um oito deitado, de qualquer maneira representa a infinidade..
É adotado por algumas linhas da Feri Tradition para representar o constante fluxo de energia, que tem sua junção de inflexões no ponto representado pela Deusa Estrela, ponto principal de toda a criação.
No decorrer da leminscate, encontramos três faces da Deusa e três faces do Deus. Do lado esquerdo de baixo para cima, Donzela, Mãe e Anciã, continuando do lado direito o Jovem, Pai e Sábio.
Aqui podemos relacionar alguns estudos de Starhawk, que descrevem que depois que a Deusa fez amor com a sua própria reflexão a imagem se torna mais masculina ao longo do caminho, tornando-se primeiro o Deus Azul, o Deus Verde e depois o Deus Chifrudo. Assim mostrando a mutável natureza divina, que podemos ver também ao longo da roda do ano.
O leminscate ilustra no seu caminho serpentino um ciclo de vida em cada um dos seus lóbulos. Quando a Deusa viu sua reflexão, que é primeiro como Nimüe, a donzela, que cresce e se transforma em Mari e finalmente como Anna a anciã, antes de retornar ao centro é a descrição perfeita de um ciclo, de uma roda.
Donzela, Nimüe Nimüe representa o novo, o crescimento, o inicio da vida. É o espirito selvagem da juventude, o potencial, a incorporação do “Coração Negro”. Uma lua crescente descansa em sua testa e as serpentes dançam no seus cabelos. Apesar de toda vitalidade há em Nimüe algo que perturba, muita vitalidade, uma sexualidade que não seja confortável, enfim, podemos sentir e trabalhar esta face da Deusa, principalmente no Solstício de Verão.
Mãe Mari Mari é o espirito da terra, céu e mar. Representa também o verão, mas o ápice do mesmo, de força e poder, que se prepara para declinar lentamente para o outono, não porque perde sua força, mas sim porque carrega dentro de si a Criança Divina. A lua Cheia é seu símbolo.
Anna Anciã É a estação final deste lóbulo. Representa o poder do medo, do inverno e da morte. Ela que acumulou a sabedoria sob todas as formas, que guarda os “mistérios proibidos”. Seu símbolo é uma lua minguando.
O Jovem Passando mais uma vez pela Deusa Estrela, podemos ver o lóbulo masculino, começando pelo Deus Azul, o jovem. Em alguns estudos representa o próprio poder pessoal, os quais nos impulsionam para a evolução. Uma serpente bobina na sua garganta, um dos seus títulos é “a serpente do poço”. Apesar de ter seu nome deturpado, chamado pelos não-pagãos de “diabo”, é considerado o Deus verdadeiro deste mundo.
Pai/Amante Continuando na leminscate, ao ponto mais direito, podemos encontrar o Deus Chifrudo, Krom, chamado também de Senhor da Colheita. É o perfeito “gemeo” da Deusa Mari, e nele as relações solares são totalmente evidentes. Se apresenta como “amante” e “pai”, depende do que precisamos dele. É o poder da sexualidade e virilidade. Também chamado de Deus Verde, é o Deus Arquétipo da Bruxaria.
Sábio/Guardião Movendo-se pelas estações podemos ver um deslocamento súbito quando alcançamos o outono. O Deus Chifrudo agora esta desenvolvido, chagando ao ápice da força e virilidade, começa seu declínio lento conforme o sol faz sua viagem na metade escura do ano, alcançando o inverno o nosso Deus é agora o Deus do medo e da morte o Arddu (lê-se Ar-Thee), ou a “escuridão real”. É o guardião da encruzilhada, e por ter o conhecimento e a sabedoria da morte é o grande professor. Seu emblema é um crânio. Todos que passassem pelos “portais da morte” deveriam antes confrontá-lo. Pode representar os nossos próprios medos, o ecstasy, e no ecstasy nós retornamos ao ponto central, passando totalmente pela leminscate, retornando a Deusa Estrela.
Lembrando que na leminscate não existem somente estes sete deuses, mas sim inúmeros. Os sete pontos são levantados para alinhar e demonstrar as características mais marcantes das deidades. Lembrando que a natureza divina é mutável.
Assim, podemos inserir Hecate, Brighid ou qualquer outra deidade na leminscate, no local a refletir melhor suas qualidades.
A Leminscate também reflete o modelo, da Deusa e seus dois consortes, conhecido na Faery como os “Gemeos Divinos”. De acordo com Cora Anderson, embora ambos “são masculinos na função, são como todos os deuses, o masculino e o feminino em um” vai ilustrar de como podem se emparelhar relacionamentos opostos ou do mesmo sexo.
Com essa ideia já podemos ter uma visão mais ampla e relacionar cada lóbulo como uma manifestação possível de um dos gêmeos, cada um circundando a Deusa Estrela.
As várias relações com os gêmeos, principalmente as citadas por Victor e Cora Anderson são profundas e talvez para um novo artigo. Bibliografia:
Starhawk, Dança Cósmica das Feiticeiras. Cora Anderson, Fifty Years in the Feri Tradition. Storm Faerywolf, estudos cedidos.
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